A Cortina de Fumaça da ‘Adultização’: A crise que a Direita anunciou e a Esquerda agora usa como pretexto para a censura – Noticiário 24H

A internet brasileira foi subitamente tomada por uma onda de virtuosa preocupação com a “adultização” de crianças, impulsionada por um vídeo viral do influenciador Felca. Políticos, artistas e a grande imprensa, em uníssono, “descobriram” o problema da sexualização precoce e da exposição infantil nas redes sociais. No entanto, para qualquer observador atento da política nacional, essa epifania coletiva não é apenas tardia; ela é hipócrita e serve como a cortina de fumaça perfeita para o verdadeiro objetivo: avançar a agenda de censura na internet.

É preciso ter memória. Há anos, vozes conservadoras e de direita, notadamente a ex-ministra Damares Alves, vêm alertando de forma incisiva sobre os perigos da erotização infantil e da exposição de crianças a conteúdos inadequados. Naquela época, essas denúncias não foram tratadas com a seriedade de agora. Pelo contrário, foram ridicularizadas pela mesma imprensa e pela mesma elite cultural que hoje se diz chocada, sendo rotuladas como “pânico moral”, “agenda reacionária” ou “puritanismo”. O alerta foi ignorado porque veio do lado “errado” do espectro político.

Agora que o tema foi validado por um influenciador de grande alcance e se tornou palatável para a bolha progressista, assistimos a um espetáculo de oportunismo. Deputados como Hugo Motta, presidente da Câmara, apressam-se em anunciar que irão pautar projetos para “combater” o problema. A solução proposta, como sempre, é mais Estado, mais regulação e mais controle.

E é aqui que a verdadeira intenção se revela. A nobre e inquestionável causa da proteção infantil está sendo usada como um cavalo de Troia para implementar a censura que não conseguiram aprovar sob o pretexto de combater as “fake news”. A pergunta que todo cidadão livre deveria fazer é: quem definirá o que é “adultização”? Um comitê de burocratas em Brasília? Quem terá o poder de policiar os posts de milhões de famílias e decidir o que é aceitável?

A solução para a adultização infantil não é, e nunca será, a criação de um Ministério da Verdade digital para patrulhar a internet. A solução real reside na esfera privada, no fortalecimento da autoridade e da responsabilidade dos pais. É o dever intransferível da família educar, monitorar e impor limites aos seus filhos. O Estado não pode e não deve usurpar esse papel.

O que vemos, portanto, não é um despertar de consciência, mas uma manobra política calculada. Um problema real, denunciado há anos pela direita e ignorado pela esquerda, é agora sequestrado por esta última para justificar a expansão do poder estatal e a restrição da liberdade de expressão para todos. A proteção das crianças é a isca; a censura é o anzol.