O Retorno do Fantasma: Senado manobra para votar Código Eleitoral com voto impresso e testa os limites da democracia – Noticiário 24H
Em um movimento que ignora as feridas ainda abertas do 8 de Janeiro e desafia abertamente o Supremo Tribunal Federal (STF), o Senado Federal se articula para votar, já na próxima semana, a proposta do novo Código Eleitoral. E, no coração do texto, ressurge o fantasma que alimentou a mais grave crise institucional da história recente do país: a implementação do voto impresso. A manobra, costurada nos bastidores, não é sobre a busca por mais “transparência”, como alegam seus defensores; é sobre a recriação da ferramenta do caos, a institucionalização da dúvida como instrumento de poder.
A tentativa de ressuscitar o voto impresso, uma pauta exaustivamente derrotada no passado e já declarada inconstitucional pelo STF, é a mais clara demonstração de que uma parcela significativa da classe política não aprendeu nada com os ataques à democracia. Pelo contrário, sentem-se agora fortalecidos o suficiente para dobrar a aposta.
O que está em jogo não é um debate técnico sobre a segurança das urnas eletrônicas — um sistema auditável e que tem garantido a lisura das eleições brasileiras por quase três décadas. O que está em jogo é a reintrodução de um mecanismo que permite a contestação em massa de resultados, a criação de narrativas de fraude e a incitação de turbas contra as instituições. O voto impresso não é uma ferramenta de auditoria; é uma arma de desestabilização.
A articulação para votar o Código Eleitoral em regime de urgência, sem um debate aprofundado com a sociedade e com os especialistas, revela a pressa em consolidar um novo arcabouço legal que sirva aos interesses dos que foram derrotados nas últimas eleições. É a tentativa de mudar as regras do jogo no meio da partida, preparando o terreno para futuras contestações.
Enquanto o Brasil clama por soluções para a crise econômica, para a insegurança e para a falta de serviços públicos de qualidade, o Senado escolhe gastar seu tempo e sua energia na ressurreição de um debate tóxico e superado. A pauta do voto impresso não é uma demanda da população, mas uma obsessão de um grupo político que não aceita a derrota e que busca, a qualquer custo, um pretexto para questionar a legitimidade do processo democrático.
A votação do novo Código Eleitoral na próxima semana será um termômetro da saúde da nossa democracia. A aprovação do voto impresso, em desacordo com decisões do STF, seria um passo perigoso em direção ao confronto institucional e a prova de que a ameaça autoritária, longe de ter sido superada, continua viva e atuante nos corredores do poder em Brasília.