O Exército de Desesperados: Inscrições no Enem disparam 11% e expõem o fracasso do Brasil em gerar futuro – Noticiário 24H

O Ministério da Educação (MEC) anunciou os números finais do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2025, e a propaganda oficial celebrou o resultado como um sucesso. Foram 4,8 milhões de inscrições confirmadas, um aumento de 11% em relação a 2024. O que o governo vende como um “recorde” e um sinal de “esperança”, é, na verdade, o sintoma mais claro de uma nação doente e a prova da total falência do Brasil em oferecer alternativas de futuro para sua juventude.

O aumento expressivo no número de candidatos não é um reflexo do súbito interesse pela vida acadêmica. É o retrato de um exército de jovens desesperados, que veem em uma prova de múltipla escolha a única e cada vez mais remota chance de escapar de um mercado de trabalho precarizado e de uma economia que não gera empregos de qualidade. A corrida pelo Enem é a fuga em massa de um país que parou no tempo.

Em uma nação próspera e com uma economia livre, a universidade seria apenas um dos muitos caminhos para o sucesso. O jovem teria a opção de empreender, de buscar uma formação técnica de alto nível ou de entrar em um mercado de trabalho dinâmico que valoriza a experiência e a habilidade, e não apenas o diploma. No Brasil, o diploma de uma universidade pública — financiado com o dinheiro de quem produz — tornou-se o bilhete de loteria, a única boia de salvação em um mar de estagnação.

O governo celebra o aumento de inscritos porque ele serve perfeitamente à sua narrativa. Reforça a ideia de que o Estado é o grande provedor, o único caminho para a ascensão social. É uma mentira conveniente que mascara a realidade: o Estado é o grande carcereiro das ambições, que, com seus impostos escorchantes e sua burocracia sufocante, destrói as oportunidades no setor privado e empurra a juventude para a fila do vestibular.

O que os 4,8 milhões de inscritos realmente representam não é o sucesso da educação, mas o fracasso da economia. São milhões de jovens que, em vez de estarem produzindo, inovando e gerando riqueza, passarão anos em cursinhos e salas de aula, disputando a migalha de uma vaga em um sistema de ensino superior inchado e, muitas vezes, desconectado das reais necessidades do mercado.

Portanto, não há o que comemorar. O recorde de inscritos no Enem é o termômetro do desespero. É a imagem de uma juventude que, sem ver futuro no presente, aposta todas as suas fichas em uma prova, na esperança de que o Estado, o mesmo que criou a crise, seja a solução para ela.