Adeus, Quinoa Importada: Ceará Revela seus Superalimentos Nativos, Ricos e Acessíveis – Noticiário 24H
Enquanto o marketing global nos empurra goji berries tibetanas e spirulina de cultivo distante como “superalimentos” milagrosos, o Ceará e o Nordeste guardam seus próprios tesouros nutricionais, muitas vezes negligenciados e subvalorizados. A verdadeira redescoberta dos superalimentos não passa por prateleiras de produtos importados e caros, mas sim pelo resgate e valorização da nossa rica biodiversidade local, oferecendo opções nutritivas, acessíveis e com menor impacto ambiental.
É hora de questionar a narrativa de que apenas produtos exóticos podem nos proporcionar saúde e bem-estar. O Ceará, com sua diversidade de ecossistemas que vão do litoral ao sertão, é um celeiro de ingredientes com propriedades nutricionais excepcionais, esperando para serem reconhecidos como os verdadeiros “superalimentos” do nosso dia a dia.
Em vez de chia, que viajou milhares de quilômetros, podemos olhar para as sementes de linhaça cultivadas na região, ricas em ômega-3 e fibras, com um custo muito menor e produção local.
No lugar da quinoa, que demanda um clima específico e é majoritariamente importada, temos o feijão verde, um alimento básico da nossa culinária, fonte de proteína vegetal, ferro e fibras, cultivado por agricultores locais e presente em nossos pratos tradicionais.
Esqueça o açaí processado e cheio de açúcar. A acerola, abundante no Ceará, é uma explosão de vitamina C, com propriedades antioxidantes e um sabor delicioso, podendo ser consumida in natura ou em sucos.
E que tal trocar a cara e distante spirulina pela nossa humilde moranga? Suas sementes são ricas em zinco e magnésio, enquanto a polpa é fonte de vitaminas A e C, além de fibras. Um alimento versátil e acessível que nutre e fortalece o corpo.
A lista não para por aí. O caju, com sua castanha rica em gorduras boas e seu pseudofruto fonte de vitamina C; a mandioca, versátil e energética; o milho, presente em tantas preparações da nossa culinária; as diversas frutas da estação, como a manga, o umbu e a goiaba, repletas de vitaminas e minerais. Todos esses são “superalimentos” genuínos, adaptados ao nosso clima e cultura, com um impacto econômico positivo para os produtores locais.
A redescoberta dos tesouros nutricionais do Ceará passa por valorizar o conhecimento tradicional, apoiar a agricultura familiar e incentivar o consumo de alimentos frescos e da época. É uma questão de soberania alimentar, de saúde pública e de reconhecimento da riqueza da nossa terra. Que os holofotes se voltem para os verdadeiros superalimentos, aqueles que brotam do nosso chão e nutrem o nosso povo.