O Grande Leilão: Senado aprova ‘pacote’ de indicados de Lula e consolida o aparelhamento do Estado – Noticiário 24H

Em uma sessão que se assemelhou mais a um leilão de cargos do que a uma sabatina republicana, o Senado Federal aprovou nesta semana um vasto pacote de indicados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para postos-chave em tribunais superiores, agências reguladoras e conselhos federais. O movimento, celebrado pelo governo como uma vitória na “articulação política”, é, na verdade, a mais crua demonstração do fisiologismo que define o poder em Brasília: a troca de cargos vitalícios e de grande poder por apoio político no Congresso.

A lista de aprovados, que atravessa diferentes áreas da administração pública, revela a escala do aparelhamento em curso. Posições que deveriam ser ocupadas por critérios estritamente técnicos e de mérito são distribuídas como moeda de troca para garantir a “governabilidade”, um eufemismo para a compra de lealdade parlamentar com o dinheiro e a estrutura do contribuinte.

O que está em jogo não são meros empregos, mas o controle de longo prazo sobre as engrenagens do Estado. Um indicado para um tribunal superior, por exemplo, terá o poder de influenciar a interpretação das leis e da Constituição por décadas, muito depois do fim do mandato do presidente que o nomeou. Um diretor de uma agência reguladora ditará as regras para setores inteiros da economia, com um poder imenso sobre a vida de empresas e consumidores.

Essa prática corrói a base de uma administração pública profissional e meritocrática. O critério para a escolha desses nomes raramente é a excelência técnica, mas sim a lealdade partidária ou a indicação de um cacique político. O resultado é a captura do Estado por interesses de grupos, em detrimento do interesse público. O cidadão comum assiste, impotente, à partilha de posições de poder entre a mesma classe política que ele sustenta com seus impostos.

Enquanto o Brasil clama por reformas que enxuguem a máquina pública e reduzam o “Custo Brasil”, o governo e o Congresso se unem para expandi-la e preenchê-la com seus apadrinhados. Cada nome aprovado nesta semana representa mais um elo na corrente que prende o país a um modelo de gestão baseado no clientelismo e no compadrio.

A “vitória” do governo no Senado, portanto, não é uma vitória para o Brasil. É a vitória de um sistema que se retroalimenta, onde o poder é usado para gerar mais poder, e a conta, como sempre, é paga por uma sociedade que anseia por um Estado que sirva ao cidadão, e não a si mesmo.








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