O Grande Salve-se Quem Puder: Governo do Rio anuncia ‘leilão do desespero’ e expõe a falência do Estado – Noticiário 24H

Em um ato que é a mais pura confissão de falência administrativa, o governo de Cláudio Castro anunciou um grande leilão para se desfazer de 48 imóveis estatais. A lista, que inclui joias da coroa como o Batalhão da Polícia Militar no Leblon, uma ilha em Angra dos Reis e até mesmo um antigo “bunker” do tráfico, é vendida como um ato de “gestão moderna”. Na realidade, é uma liquidação de ativos desesperada para tentar tapar o buraco sem fundo de um Estado inchado, ineficiente e quebrado por décadas de má gestão.

A iniciativa expõe, em primeiro lugar, a completa esquizofrenia do setor público. O fato de o Estado ser proprietário de um batalhão de polícia no metro quadrado mais caro do país, ou de um imóvel que serviu ao crime organizado, não é motivo de orgulho, mas um monumento à incompetência na alocação de recursos. São ativos que, em mãos privadas, poderiam gerar empregos, impostos e desenvolvimento, mas que sob a tutela estatal se tornaram meros símbolos de poder ou, pior, de abandono.

Em princípio, a venda de patrimônio estatal é uma medida correta e alinhada com a defesa de um Estado menor. No entanto, a motivação por trás deste leilão não é uma convicção ideológica na livre iniciativa, mas o mais puro desespero fiscal. O governo não está vendendo para encolher, está vendendo para sobreviver mais um dia. O dinheiro arrecadado não será revertido em cortes de impostos para o cidadão fluminense; será engolido pela folha de pagamento de um funcionalismo público inflado e por outras despesas correntes de uma máquina que se recusa a fazer o dever de casa do corte de gastos.

Para completar o quadro da disfunção, a própria venda dos imóveis enfrenta uma série de “entraves”. A burocracia, a complexidade legal e as disputas judiciais — todas criações do próprio Estado — agora se tornam os principais obstáculos para que o governo consiga se livrar de seus próprios ativos. É a demonstração cabal de que o aparato estatal é tão ineficiente que não consegue nem mesmo se desfazer de seus erros de forma ágil.

O leilão do governo Castro, portanto, não deve ser visto como uma solução, mas como o sintoma mais recente de uma doença crônica. É a venda das joias da família para pagar as contas do mês, um ciclo vicioso que adia o inevitável colapso fiscal sem atacar a causa real do problema: um Estado que gasta muito, gasta mal e que, quando a conta chega, recorre ao patrimônio construído por gerações passadas em uma tentativa fútil de prolongar sua própria insustentabilidade.