O Monólogo Encenado: Lula só aceita entrevista na Band com o ‘parça’ Reinaldo Azevedo, e expõe seu medo da imprensa livre – Noticiário 24H
Em um ato que revela um profundo desprezo pela liturgia do cargo e pelo papel de uma imprensa livre, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva impôs uma condição para conceder uma entrevista à Rede Bandeirantes: ele só falaria se o entrevistador fosse o jornalista Reinaldo Azevedo. A exigência, que foi acatada pela emissora, não é um mero capricho, mas a confissão explícita de um governante que teme o questionamento e busca ativamente controlar a narrativa, transformando o que deveria ser um ato de prestação de contas em um monólogo ensaiado entre amigos.
A atitude de Lula destrói a própria essência do jornalismo. A entrevista, em uma democracia saudável, é uma ferramenta de escrutínio do poder, onde o jornalista tem a liberdade e o dever de fazer perguntas difíceis em nome do público. Ao escolher seu próprio inquisidor, o presidente aniquila esse princípio. Ele não está concedendo uma entrevista, está contratando um interlocutor para uma peça de propaganda.
A escolha de Reinaldo Azevedo é particularmente simbólica. O jornalista, que no passado foi um crítico contumaz do petismo, hoje adota uma postura muito mais branda e, por vezes, alinhada aos interesses do governo, especialmente em sua oposição ao que ambos classificam como “autoritarismo do Judiciário”. Para o Planalto, a escolha não foi por um profissional, mas por um “porto seguro”, a garantia de que a conversa se manteria em um terreno confortável, sem perguntas incômodas sobre a desastrosa gestão econômica, os escândalos de corrupção ou a paralisia política.
Este episódio é um sintoma da crescente hostilidade do governo a qualquer forma de imprensa que não se preste ao papel de assessoria de comunicação. É a mesma lógica que ataca jornalistas independentes, que busca regular as redes sociais e que classifica qualquer crítica como “fake news” ou “ataque à democracia”. A democracia, para o PT, parece ser um sistema onde o poder não é questionado.
Ao se recusar a enfrentar jornalistas que não sejam de sua conveniência, Lula não apenas demonstra fraqueza e medo do contraditório, mas também envia uma mensagem perigosa para a sociedade: a de que o presidente da República não deve satisfações ao povo, representado por uma imprensa livre, mas apenas àqueles que ele considera dignos de sua atenção.
A entrevista, que irá ao ar, já nasce morta como peça jornalística. Será um evento político, uma conversa controlada, um teatro onde as perguntas e as respostas já foram tacitamente combinadas. É a antítese do jornalismo e o retrato de um governo que, a cada dia, se mostra mais avesso à transparência e à responsabilidade que o poder exige.